Polifarmácia no idoso: por que revisar os remédios com o geriatra

Entenda o que é polifarmácia, os riscos para o idoso e como a revisão de medicamentos feita pelo geriatra aumenta a segurança.

Dra. Flaviane AraújoGeriatria · CRM-MG 66136 · 2 min de leitura
Idosa organizando comprimidos em um porta-comprimidos semanal

Em resumo

Tomar muitos medicamentos ao mesmo tempo é comum depois dos 60, mas o risco de interações, quedas e confusão mental cresce junto. Uma revisão periódica com o geriatra ajuda a manter só o que é realmente necessário, na dose certa.

É muito comum que, com o passar dos anos, uma pessoa acumule remédios: um para a pressão, outro para o colesterol, um para dormir, outro para o estômago. Cada um foi prescrito por um motivo. O problema é que, somados, nem sempre continuam fazendo sentido.

O que é polifarmácia

Polifarmácia é o uso simultâneo de vários medicamentos, geralmente cinco ou mais. Ela costuma acontecer quando o idoso consulta com diferentes especialistas, cada um acrescentando uma receita, sem que alguém olhe o conjunto.

Por que o idoso é mais sensível aos remédios

Com o envelhecimento, o corpo muda a forma de lidar com as medicações:

  • rins e fígado eliminam as substâncias mais devagar;
  • a quantidade de água e de massa muscular no corpo diminui, alterando como o remédio se distribui;
  • o cérebro fica mais sensível a certos efeitos, como sonolência e confusão.

Uma dose que era adequada aos 50 anos pode ser excessiva aos 80.

Riscos da polifarmácia

  • Interações entre medicamentos, que aumentam ou diminuem o efeito um do outro.
  • Quedas, por tontura, sonolência ou queda de pressão.
  • Confusão mental e esquecimento que podem ser confundidos com demência.
  • Efeitos no estômago, nos rins e na pressão.
  • Erros no uso, quando a rotina de horários fica complicada.

O que é a revisão de medicamentos

Na consulta de geriatria, cada remédio é avaliado com perguntas simples: para que serve? ainda é necessário? a dose está adequada? existe uma opção mais segura? ele interage com outro? Podem ser reduzidas doses, trocados medicamentos ou suspensas prescrições que já cumpriram seu papel. Também se organiza uma rotina de horários fácil de seguir.

Como se preparar

  1. Reúna todas as caixas de remédios, inclusive os de uso eventual, vitaminas, chás e pomadas.
  2. Leve as receitas e os exames recentes.
  3. Anote efeitos que você percebe: tontura, sono excessivo, queda de apetite, esquecimentos.
  4. Traga quem ajuda o idoso com as medicações, para alinhar o esquema.

Revisar os remédios não é cortar tratamento: é cuidar para que cada um esteja ali pelo motivo certo. Muitas vezes, menos medicamentos significa mais disposição e mais segurança.

Perguntas frequentes

Posso parar um remédio por conta própria se achar que não preciso mais?

Não. Alguns medicamentos precisam ser reduzidos aos poucos, e parar de repente pode causar efeitos importantes. A decisão deve ser tomada junto com o médico.

Chás e suplementos também entram na revisão?

Sim. Chás, vitaminas e suplementos podem interagir com os remédios. Leve tudo o que o idoso usa, inclusive o que não é receitado.

Quantos remédios caracterizam polifarmácia?

O critério mais usado é o uso de cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo. O que importa, porém, é se cada um continua necessário e seguro para aquela pessoa.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual por um médico. Cada pessoa é única: converse sempre com o seu geriatra antes de mudar medicações ou condutas.

Quer conversar sobre o seu caso?

A consulta com a Dra. Flaviane é longa, individualizada e pode ser no consultório, por vídeo ou na sua casa.

Agendar pelo WhatsApp
Agendar pelo WhatsApp